Uma foto vale mais que mil palavras…

Racismo: “Tire seu racismo do caminho, que eu quero passar com minha cor”

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Sim, as fotos falam em várias linguagens sem a necessidade de palavras. As expressões falam, as sombras falam, a luz os vazios… A foto acima, fala mais que tudo – pelos os olhos de uma criança negra. Suas mãos, apoiadas sobre o muro que a divide, como se a separasse por ser “diferente”. Sua expressão também nos fala – em seu rosto, uma mescla de surpresa e sofrida paciência.

E na foto está escrito: “Tire o seu racismo do caminho, que eu quero passar com minha cor”. É uma reafirmação de sua vontade de ser o que é, sem esconder, sem ter que pedir perdão. A menina não te pede perdão e nem quer te dizer: “Por favor, deixa-me passar, mesmo sendo negra”.

É uma afirmação de identidade. O racismo está nos outros. Ela também é filha da Terra, como todos nós. Com firmeza e delicadeza, ao contrário, nos pede: “Esqueça seu racismo”, derrube esse muro de cimento, espelho de tua discriminação. E vamos, “deixa-me passar com a minha cor”. Ela não quer que você tenha compaixão, que a deixe passar por ser negra e diferente de você. Não. Ela quer ser o que é: negra. Quer ser aceita como é: com sua pele escura.

Não lhe pede compaixão, nem que feche os olhos para ver o seu rosto como é. Quer que a olhemos e a aceitemos com sua originalidade, com a cor de sua pele e a dignidade de sua alma.

A foto e as palavras escritas me fez pensar no drama da grande maioria dos habitantes de nosso país, que às vezes têm que se esconder, são obrigados a não parecer o que são, por medo de não serem aceitos junto com sua originalidade e diversidade.

As palavras poderiam nos dizer: “Queremos passar com nossa cor, com nossa fé, com nossa cultura, mesmo que não seja igual a sua. Não queremos que nos aceitem castrados, sem nossa integridade de diferentes. Deixa-me passar com minha cor”. Sem que tenhamos que pedir “Por favor”.

“Porque o favor o fazemos a nós outros que levamos o sangue e nossa cultura para vocês. E braços para trabalhar, muitas vezes fazendo o trabalho que vocês recusam”.

Deixem, por Deus, o seu racismo! É o que nos diz a menina negra da foto, com seus olhos de mel. Uma foto que mais do que falar, grita, mesmo que seu grito se encontre perdido nas marcas das dores dos ancestrais de todos os excluídos da Terra.

Por Augusto Martini

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