Sou a melhor companhia para mim mesmo… por Evaristo Magalhães

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( Ilustração: Noma Bar )

Sou corpo e pensamento. Meu corpo é o que tenho. É o meu aqui e o meu agora e o que posso contar para viver. São meus olhos, boca, ouvidos e nariz. Tenho braços, mãos, pernas e pés. Amo e odeio. Oscilo entre ser alegre e triste. Gosto de algumas coisas e outras nem tanto.

Meu corpo é minha casa, meu quarto e minha cama. Tenho meu trabalho e meus amigos. Meu corpo são os filmes, peças e shows que gosto de ver. Tenho minha família e as pessoas que conheço. Meu corpo me satisfaz? Nunca. Contudo, tenho que me virar com ele. É o que sou. Não posso perder tempo com a única e limitada felicidade que – de fato – tenho. Não tenho como grudar outras felicidades à minha. A felicidade que espero – além de mim – depende de uma série de circunstâncias que não posso controlar. Não posso condicionar minha felicidade à felicidade de outrem. Não posso acoplar ninguém a mim. A felicidade para além de mim, depende da vontade do outro. Ele é livre para querer ou não e, também, pode querer agora e deixar de querer mais tarde.

Penso para tentar resolver a alegria de viver que me falta. Penso quando não me satisfaço. O pensamento é sinal de baixo-estima. O pensamento foca no que não possuo. Penso para me mortificar, uma vez que o raciocínio me tira de mim. Ou seja, pensar me transporta para um mundo que não é meu e desfaz do mundo que – de fato – sou. O pensamento me tira do meu corpo. Tenho que tentar resolver o que me falta com o que possuo. Preciso ser feliz com o que tenho – aqui e agora – em mãos. Não posso querer viver uma vida que não detenho. O pensamento alimenta minhas ilusões. Posso até querer outras coisas. Contudo, enquanto nada muda, devo ser feliz ao máximo com o que está sob meu domínio.

Não posso perder tempo esperando. E se a mudança não chegar? Por isso, não tenho muitas escolhas. Devo gostar de mim e do que tenho. Preciso – urgentemente – amar meus olhos, boca, ouvidos, nariz, mãos, pés, braços, barriga, altura e bunda. Não posso desfazer do meu jeito de andar, vestir, sentir e gostar. Preciso dar conta de ser feliz com a família, amigos e pessoas que convivo. Preciso amar mais minha casa, meu quarto e meu trabalho. Jamais serei feliz um dia, estando infeliz agora. O que sou, sinto e faço é o que tenho. Preciso parar de pensar em outros mundos. Preciso viver mais quem sou!

Por Evaristo Magalhães

Filósofo e Psicanalista

evaristo 150x150 Sobre MARIA BETHÂNIA…por Evaristo Magalhães

 

 

 

 

 

http://evaristomagalhaespsicanalista.com/

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