Psicanalista Evaristo Magalhães fala sobre um outro “TEMPO”

relogio

Houve um tempo em que só se interessavam por pessoas.

Não era um tempo em que o dinheiro predominava como valor maior. As pessoas trabalhavam e tinham seus afazeres domésticos. No entanto, o que elas realmente gostavam, era de estar com os outros. Havia rodinha de amigos na porta do vizinho.As praças ficavam lotadas nos finais de semana.

Os alpendres eram cheios de pessoas conversando e ouvindo música. Não era preciso se preocupar muito com o amanhã. Ninguém tinha muito medo do futuro. As pessoas simplesmente adoravam se encontrar. Tudo era muito natural. Era um mundo mais estável. Não havia tanta competição no trabalho, na escola e na família. Não havia muita pressa. O tempo corria lento. Os dias eram longos. O natal demorava. A moda durava décadas.

A geladeira acompanhava o casal na constituição da família. As notícias demoravam para chegar. Poucas coisas eram motivos de desestabilização. As pessoas se contentavam com pouco.Aliás, não se achava pouco, porque não se sabia o que era o muito. A vida seguia uma certa rotina. Cada um arranjava seu próprio cabelo. Havia lojas de tecido: escolhia o modelo e a costureira levava semanas para fazer a roupa.

Não havia muita ansiedade. Cada pessoa tinha um, ou no máximo, dois pares de sapato. Um para trabalhar e outro para ir às festas. Não havia muita diversidade e nem tantos motivos para acumular coisas. O mundo era bem menor. Talvez por isso, não se ouvia falar em síndrome do pânico. Como poucas coisas diferentes aconteciam, não havia muito com o que se preocupar. Quase não se ouvia falar de insônia.

Não havia comida pronta para o consumo e toda receita levava horas para chegar à mesa. Talvez por isso, não se ouvia falar em obesidade mórbida. Era um mundo de pouco dinheiro, pouca tecnologia e pouco consumo. Um mundo de muito mais calor humano, mais amizade, respeito, carinho, união, apoio e tranquilidade. Enfim, tudo o que é realmente importante para o ser humano, ser verdadeiramente mais humano.

(Tempo de Fé – Lula Barbosa )

Por  Evaristo Magalhães

Filósofo e Psicanalista

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http://evaristomagalhaespsicanalista.com/

 

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