Por que temos tanta DIFICULDADE de entender as PESSOAS que sofrem de DEPRESSÃO?

 

suicidio

Habitamos dois tempos. HÁ PESSOAS que habitam um tempo onde tudo está sempre recomeçando. Um tempo onde outra coisa pode ser posta no lugar. O sofrimento vai e volta a vida toda. Perdemos e encontramos. Somos demitidos e readimitidos. Substituímos as coisas. Malhamos para enrijecer. Retardamos a dor. Sempre existe alguma solução. Alguém sempre nos diz algo bom. Tempo dos sentimentos que nunca caem no vazio. Podemos esperar que vem. Fixamos neste tempo. Nos iludimos com ele. O mundo tira e dá de volta. Trocamos as coisas. Tempo da crença de que seremos acarinhados sempre. Tempo que acreditamos que vale prosseguir e que dias melhores sempre virão. HÁ PESSOAS que habitam o silêncio. Tempo onde não há a dialética do ir e vir. São pessoas que se adiantam ao que – certamente – nos espera um dia. Estão lá e não aqui. Habitam um mundo sem movimento. Mundo das perguntas sem respostas. Mundo que insistimos desconhecer.

Tempo sem esperança. Tempo onde as coisas nunca passam e de onde não há forças para sair. Mundo das pessoas paralisadas. Mundo mais forte que a vontade de mudar. Outro lado imóvel desse nosso mundo das coisas que se movem. Mundo que recalcamos com nossa ânsia de ter tudo. Mundo que não queremos ver. Vazio. Solidão. Mundo onde todas as explicações cessam. Dor que não passa. Este é o mundo dos depressivos. Não há quem não esteja suscetível de habitá-lo. Não podemos condenar quem nele vive. Não sabemos o que nos acontecerá. Não somos nenhum super herói. Nossas forças serão testadas em algum momento. Nesse vazio inerte precisamos do amor do outro para continuarmos a vida.

A depressão não habita o mundo dos julgamentos, condenações e explicações. Mundo constante e regular. Sem causa e efeito. O depressivo não vive no mundo das pessoas que possuem fé. O depressivo vive no mundo das ilusões que evaporam e não voltam nunca mais. No mundo do depressivo só cabe acolhimento, presença, doçura, compaixão e generosidade.

Por Evaristo Magalhães

Filósofo e Psicanalista

evaristo 150x150 Sobre MARIA BETHÂNIA…por Evaristo Magalhães

 

 

 

 

 

http://evaristomagalhaespsicanalista.com/

1 comment

  1. Adorei essa sua crônica, que aborda com tanta sensibilidade e delicadeza essa doença, as vezes difícil de diagnosticar, e ainda incompreendida pela maioria. Quando não ignorada. Acho perfeita, para elucidar que a depressão precisa de tratamento, compreensão e muito acolhimento. Muitas vezes levam ao suicidio.
    Parabéns Doutor!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *