Por Ivo Morganti

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Meninos e principalmente Meninas.

Comemora-se, no dia 20 próximo, o dia da “Consciência Negra”. É uma data significativa para a conscientização geral de que, não se pode preconceituar nada nessa vida e não há a menor razão, nem o menor direito, seja lá de quem for, de posicionar essa ou aquela etnia, essa ou aquela condição social em patamares maiores ou menores. Somos todos iguais. Viemos do mesmo lugar e para lá voltaremos, depois de nossa passagem por esse planeta.

É claro que, em virtude da condição de escravatura, inerente aos negros que aqui chegaram e, por isso mesmo, com a total ausência de oportunidades que essa condição impunha aos africanos de pele escura que aqui aportaram como propriedades dos senhores de engenho, é claro que a falta de cultura, de possibilidade de estudo e aprendizado deles e de seus descendentes fizeram os negros terem uma posição inferior à dita “raça” branca.

Mas só por isso!!  Nunca e em momento algum porque negro é inferior, porque quem tem níveis diferenciados de melanina não consegue ter a mesma inteligência que os de “raça” branca, ariana, caucasiana e outras que tais.Isso é uma “babaquice” sem tamanho. Primeiro que não existe diferença de raça. Somos todos da raça humana. Não existe nem  “raça negra, nem raça branca, nem raça amarela.

Eu, com a graça de Deus, convivi, sempre, com  negros, assim como convivi com  brancos com amarelos etc… Nunca nutri, e muito em virtude de minha educação familiar, raiva, ódio, diferença ou outro qualquer sentimento pela cor das pessoas, já nutri sim, e isso todos nós já sentimos alguma vez na vida, raiva, ódio etc.. por pessoas inescrupulosas, sem caráter, sejam elas negras, brancas, amarelas ou de qualquer outra tonalidade de pele.

Vou contar aqui uma passagem da minha vida que mostra que não se pode ter preconceito em nenhuma das situações, seja ele da parte dos brancos como eu, seja ele da parte dos negros, que também, é bom que se diga, existe.

Eu tive minhas incursões pelas categorias de base de times de futebol e quando treinei no São Paulo conheci um lateral direito apelidado de Nico, um preto gente fina demais. Nossos santos se cruzaram e travamos uma amizade legal. Fomos depois jogar em um time da várzea da zona norte de São Paulo e um belo dia ele me convidou para sua festa de aniversário, em sua casa na sexta-feira à noite. Claro que fui, até porque como bom praticante de futebol para mim “boca livre e penalty só perde quem é trouxa”.

Em determinado momento da festa, que estava muito legal, vi uma negra linda, com uma graça , uma doçura, um jeito meigo, apaixonante. A luzinha acendeu dentro de mim e comecei a me interessar por aquela mulher especial. Cheguei perto dela, nosso olhares se cruzaram e alguma coisa mágica aconteceu. Começamos a dançar, tomamos uma “cuba libre” e ficamos, dalí em diante, juntinhos até o fim do bailinho. Ela se chamava Márcia e, de verdade, nos apaixonamos.

Márcia era irmã do Nico que ficou muito feliz em saber que a gente tava namorando. Ela demorou um pouco para falar com sua família e um dia quando fui na sua casa percebi que o tratamento que a mim dispensaram não foi dos melhores. Olhares tortos, um misto de desprezo e pouco caso que para mim soavam como ciúme dos pais, dos familiares de uma maneira geral, diferentemente das outras vezes nas quais eu havia estado na casa dela. Era perfeitamente admissível. Já havia passado pro algumas situações assim com outras namoradas, com outros pais de meninas com as quais havia mantido um relacionamento. Não liguei muito até a hora que vi Márcia chorando na varanda da casa. Perguntei a ela porque chorava e ela me disse que, um dia antes havia contado para  seus pais e seus familiares que, exceção feita ao Nico, ficaram descontentes e não queriam que ela namorasse com um branco. Na cabeça deles esse “branco” queria apenas aproveitar-se de uma negra, não tinha boas intenções etc…

Fiquei arrasado mas como sempre fui marrento e peitudo, até certo ponto atrevido, entrei na casa novamente e falei um monte de impropérios para a família dela terminando por dizer que, querendo eles ou não, eu iria namorar com ela. Não é preciso dizer que o pai dela me pôs para correr dali. Fui embora e, por mais que tentasse, não consegui fazer a Márcia continuar com nosso relacionamento. Ela tinha muito respeito e até medo do pai e não queria contrariá-lo. Posteriormente entendi seu pai. Na sua infinita preocupação com a filha e no comportamento da sociedade, que ele acostumara a ver, um “branco” só poderia querer se aproveitar da sua linda menina. Toquei minha vida que continuou repleta de amigos negros, brancos, amarelos e de tudo quanto é cor.

Escrevi tudo isso só para dizer que a coisa que menos importa em nossas vidas é a nossa cor. O que importa é a cor vermelha da paixão, a cor dourada do amor, a cor azul da felicidade que todos nós, brancos, pretos,amarelos, vermelhos etc… temos que experimentar e viver em sua total intensidade.

Nos vemos por aqui

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