Como Homenagear Luiz Gonzaga sem falar de Chambinho do Acordeon

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Tive o prazer de conhecer e muito a história de Luiz Gonzaga, primeiro através do meu pai que era um fã incondicional. Depois como Coordenadora Cultural e Social por mais de 15 anos no CTN – Centro de Tradições Nordestinas, onde tive a oportunidade de me envolver com a família de Luiz Gonzaga,com  Daniel seu neto, Dominguinhos, Elba, Patativa, meu querido Oswaldinho do Acordeon, Banda de Pífanos, Anastácia, Clemilda, Marinês, Genival Lacerda, e os papos com Jorge Mello, Biliu de Campina, Enoque e tantos outros nomes e eventos, que fazia em homenagem a este ícone da música brasileira.

E assistindo o filme, me lembrei de um acontecimento que me chocou muito, e marcou a minha vida profissional para sempre.

Fui convidada a produzir o Primeiro São João de SP ( no Sambódromo/ Anhembi ), um mega evento, o maior São João que SP poderia ter, sim eu disse poderia ter.A intenção, o sonho ou os propósitos eram fantásticos, reproduzir  o maior São João do Mundo,  festa que acontece no nordeste ( Campina Grande ), em São Paulo a maior cidade Nordestina do Brasil. Posso garantir, que não foi o maior São João de São Paulo, mais foi a maior confusão do Brasil.

Primeiro o boneco gigante  de Luiz Gonzaga, que abria o evento, não era negro, eles colocaram Luiz Gonzaga ( Branco )  piegas, rsrsrs, e depois de tantas brigas acabaram mudando ( se vê que o racismo ainda é muito presente aqui no Brasil ), e mais, o palco do forró era o menor e longe de tudo e de todos.

Um São João onde o forró era coadjuvante da sua própria cena cultural . Uma contradição total, um investimento sem igual, trazer o nordeste inteiro para São Paulo, com cenários, materiais, músicos, quadrilhas, um caminhão com todo acervo de Luiz Gonzaga e etc…  e ver uma confusão de ideias sem solução, um fiasco total , o povo quer  uma coisa e o produtor decide o que ele vai ver, ouvir e ter, os grandes donos do mundo que não sabem ouvir e nem admite que precisam da colaboração e principalmente da informação, para trabalhar em equipe e poder  fazer um evento deste porte.

Depois de muita discussão, sem nenhum resultado, tive que abrir mão do evento e me tornar expectadora e assistir de camarote o fracasso que foi.

…Quando olhei a terra ardendo
Qual a fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação…

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Uma Judiação mesmo !!!. É preciso conhecer e saber o que é a música e o povo nordestino para poder homenagear ou construir um evento a sua altura.

Afinal é essa cultura que abastece boa parte do nosso Brasil, a  música é universal e o… forró, xaxado, xote … faz parte deste universo. E seu Luiz nos deixou um legado sem igual.

Minha cabeça entrou em choque, e entrei de cabeça nessa luta, que já existia a muito tempo, com tantos nomes e pessoas como Pedro Sertanejo que abriu a primeira casa de forró em SP, a Rádio Atual e o próprio CTN, e me uni a esse povo que carregava essa história e  merecia sim ser protagonista pelo menos da sua cena cultural.

Fui odiada, amada, criticada, elogiada e ainda hoje colho os bons e maus frutos dessa luta,  tive contato com pessoas e músicos maravilhosos que não deixam a desejar em nenhum momento, gente de uma sabedoria sem igual, e creio eu que o filme e a desenvoltura de Chambinho como ator e como músico, afirma tudo isso e me faz crer mais uma vez que valeu a pena todo nosso esforço, toda nossa luta pela cultura popular.

No mesmo ano comecei a fazer um Programa na Rádio Atual ” Momento Cultural “, e o foco maior era a música Nordestina e a Cultura deste povo que construiu SP. Mergulhei de cabeça em busca de informação e me embriagava com o encantamento de cada descoberta.

Hoje posso dizer que foi conhecendo a minha cultura que me reconheci como se humano. Graças a Deus  e a tantos que como eu não desistiu e acreditou apesar de tantas dificuldades, esse cenário mudou e hoje somos os Protagonistas sim e vencemos, porque derrubamos as barreiras e construímos pontes, apesar de saber que muita coisa ainda esta nas margens.

E foi nessas andanças que conheci Chambinho, um músico sem igual, um instrumentista de fazer inveja, e um ser humano incrível. Apesar da pouca idade quando nos conhecemos, já trazia ali a carga de uma sabedoria, uma garra tremenda, uma história regada de valores e vontade de ir além…sempre que eu o chamava para alguma coisa,  entrevista no rádio, ou na Tv, para shows e eventos, ele estava pronto para nos atender com o maior carinho e respeito. Fizemos muitas coisas juntos, lembro como ele ficou quando o nosso querido Dominguinhos foi morar lá no céu, e sabia que caia dos seus olhos a lágrima de todos nós brasileiros. De vez em quando nos falamos, e, é impressionante que mesmo com todo esse sucesso, com toda essa fama, ele ainda é aquele Chambinho que conheci lá atrás, humildade e guerreiro, uma pessoa que vai a luta e consegue o que quer, ele  continua sendo transparente.  Parabéns Chambinho!!! No mês que se comemora o aniversário de Luiz Gonzaga o Rei do Baião, a homenagem só poderia ser assim: Falar de Chambinho e  dessa cinebiografia musical do diretor Breno Silveira que com toda equipe merece ser aplaudido de pé.  ” De pai para Filho “. Bravo !!!  Bravo!!!  Bravo !!!.

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Chambinho do Acordeon selecionado entre mais de 5 mil candidatos para interpretar Luiz Gonzaga no cinema. Um banho de interpretação e emoção.

“Considero Luiz Gonzaga um baluarte [da música brasileira]”,. A bossa nova tem influência do baião e até a MPB tem uma influência muito forte dele Se for reparar, antes dele todos os cantores tinham aquela voz impostada, até mesmo no samba. Entre os cinco maiores da música popular, ele com certeza está no meio”, reflete. “Conseguiu urbanizar uma coisa que já existia lá no sertão – e com propriedade”.

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Aqui o trailer do filme ( um pedacinho ) para você ver, rever e se emocionar como eu e todo Brasil.

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