Morte e Vida Severina

 

 

 

O livro Morte e Vida Severina foi escrito pelo brasileiro João Cabral de Melo Neto. Essa historia levou um ano inteiro para ser escrita, mais precisamente foi feita entre 1954 e 1955, logo depois que o autor terminou de redigir o texto ele foi publicado.

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  • Para analisar o livro Morte e Vida Severina é preciso contextualizar com o ambiente em que ele foi escrito. Em 1945,quando a Segunda Guerra Mundial terminou o otimismo passou a tomar conta do mundo e com isso se iniciou uma etapa de passividade. No Brasil, esse ano foi a marca do fim da Era Vargas o que queria dizer que se começaria a democracia.

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  • Depois de tais fatos, a arte brasileira, incluindo a literatura, só evoluía em direção a democracia relativa que se vivia no Brasil. Esse foi um momento de renovação de estilo no teatro, no cinema, na arquitetura, na pintura, na música e na literatura. Para a literatura deu-se inicio a terceira fase do Modernismo, por isso a obra Morte e Vida Severina foi considerada tão inovadora se comparada a outros livros de literatura.

 

  • A obra de João Cabral de Melo Neto fez sucesso não só como livro, mas também nos palcos do Brasil inteiro. A obra foi escrita em versos em redondilha maior, sente sete silabas poéticas que pertenciam ao estilo de literatura medieval. Essa obra também foi composta por rimas e repetições de versos completos e repetições de determinadas palavras que o autor quis dar mais importância.

 

  • Esse livro consegue prender os leitores, pois combina a concentração com simplicidade, alem de fortes imagens visuais. As emoções transmitidas são ainda mais tocantes quando se vê a peça encenada no teatro, pois a linguagem usada é bastante parecida com o jeito comum de se falar.

 

  • O autor tenta mostrar o retirante nordestino, mais precisamente um paraibano, que atravessa o Brasil em direção do litoral. Mostra como a pessoa precisa buscar a sobrevivência em locais onde as oportunidades são escassas devido a falta de políticas sustentáveis e o castigo da seca.

 

  • O livro é composto por dezoito trechos e em cada um deles existem relatos da vida “severina”, ou seja, do sofrimento do personagem.

 

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“Esta cova grande em que estás com palmos medida/É a conta menor que tiraste em vida/É de bom tamanho nem largo nem fundo/É a parte que te cabe neste latifúndio”.
Este é um dos trechos mais famosos do poema Funeral de um lavrador, da peça Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto.
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Musicada pelo cantor e compositor Chico Buarque de Holanda, a premiada peça foi encenada pela primeira vez em 11 de setembro de 1965, no próprio Tuca. Foi um enorme sucesso na época, o público aplaudiu de pé a história da viagem do retirante nordestino Severino que abandona o sertão em direção ao Recife, em busca de melhores condições de vida. A estréia marcou um efervescente momento histórico, político e cultural do país, no qual a arte foi usada como instrumento de manifestação política contra a repressão iniciada no golpe militar do ano anterior.

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“A peça fez com que o estudante universitário acordasse para a sua participação cultural e encontrasse no teatro um veículo de comunicação veemente e interativo. Ele é tão persuasivo que continua até hoje”, diz a professora Lucrecia D’Alessio Ferrara, da PUC-SP, doutora em Literatura, que participou da montagem da peça na época. Segundo ela, Morte e Vida Severina despertou o estudante universitário para a poesia de João Cabral de Melo Neto, que passou a fazer parte do currículo do ensino médio e dos vestibulares.

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Na época, para colocar o projeto em prática, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da PUC-SP convidou o psiquiatra e escritor Roberto Freire (diretor-geral do grupo), Silnei Siqueira (diretor de atores) e José Armando Ferrara (cenógrafo). O espetáculo só foi possível, porque contou com o apoio financeiro de muitos estudantes e artistas. Chico Buarque, na época cursando a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, chegou a vender seu fusca velho, apelidado de Clóvis, para investir no espetáculo. Roberto Freire rifou a linha telefônica e o artista plástico Aldemir Martins doou seus quadros. Foi até criado um diploma simbólico, pelo publicitário Carlito Maia, chamado “Ordem do Tucano”, para distinguir aqueles que colaboravam. Ao final das apresentações, havia “canjas musicais” com grandes nomes como Elis Regina, Dorival Caymmi e Geraldo Vandré.

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A peça foi apresentada em várias regiões do país. A repercussão junto ao público e à crítica foi tão grande que o espetáculo viajou para a França, onde recebeu o prêmio do 4º Festival Universitário em Nancy, em maio de 1966. Morte e Vida Severina excursionou também pelas cidades de Lisboa, Coimbra e Porto, em Portugal. Na volta da turnê internacional, o grupo teatral foi recebido no aeroporto de Congonhas por muitos estudantes e seguiu em carro aberto para o Tuca.

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“Com o endurecimento do regime militar, aos poucos o grupo acabou se dispersando. O teatro universitário não deslanchou para a sociedade brasileira, os movimentos de valorização à cultura popular foram dissipados pela ditadura e desde então a PUC-SP não teve um projeto cultural daquela envergadura”, diz o professor de teologia e jornalismo dessa universidade, Jorge Cláudio Ribeiro, responsável pela pesquisa e elaboração do site em homenagem aos 40 anos.

Fonte – Assim se faz

 

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