A memória traiçoeira de Jomard – Por José Nêumanne Pinto

Isabel e José Nêumanne Pinto estavam no público que gargalhou a bandeiras despregadas na exibição do curta-metragem em Super8 O palhaço degolado, de Jomard Muniz de Britto, na noite da terça-feira 18 de novembro de 2014 na Casa das Rosas, em São Paulo. A exibição foi feita no evento Uma noite com Jomard, que fez parte da programação Balada Literária, com organização a cargo de Frederico Barbosa, Marcelino Freire e Claudinei Ferreira.

Jomard escreveu 18 (referência à data) de seus “atentados poéticos” no verso de fotografias e os distribuiu a alguns dos presentes, entre os quais o artista plástico paraibano Sérgio Lucena e o cantor e performer pernambucano Edir Lima, o Edy Star.

“Não existe humor inteligente. Isso é um pleonasmo. Para ser humor tem de ser inteligente”, comentou a historiadora Isabel de Castro Pinto, encantada com o desempenho do poeta, crítico, professor universitário e cineasta pernambucano, que recusa o rótulo de agitador cultural. “Sou mesmo é um agitado cultural”, disparou Jomard, que se queixou dos organizadores por ter a agência de viagens amputado o Britto de seu nome. “Virei um Muniz qualquer”, disse.

Jomard Muniz de Britto

Certa vez, quando foi apresentado ao jovem e talentoso poeta paraibano Astier Basílio pelo grande poeta de Jaboatão dos Guararapes Alberto da Cunha Melo, Jomard ouviu do amigo: “Este aqui é o Rimbaud campinense”. E rebateu, incontinenti: “Não diga, meu rapaz. E quem é seu Verlaine?” Astier corou e comentou que não há em sua vida parceiro nenhum que lhe tenha dado um tiro por ciúmes.

Mas este causo não foi contado na noite e outros vieram à tona. Depois de falar de seu trabalho com o educador Paulo Freire, atuação que lhe custou o emprego de professor tanto na Universidade Federal de Pernambuco quanto na Universidade Federal da Paraíba, Jomard contou que “marinou” nas eleições. Pois não acredita que o Lula que aparece prometendo “decência” numa bela camiseta que ele ainda possui, mas não usa mais, não soubesse da roubalheira toda na Petrobrás. Nem Dilma.

Perguntado sobre sua amizade com Caetano Veloso, Jomard aproveitou para discorrer sobre as armadilhas da memória. Ele se lembra que estava em casa ainda dormindo, às 11 horas, quando foi despertado pelo crítico de cinema Celso Marconi, do Jornal do Commercio, para acompanhá-lo numa entrevista com Caetano Veloso. Assim ficou conhecendo o baiano tropicalista. Mas contou que recentemente leu um texto do crítico em que Marconi registrou que foi apresentado ao autor de Tropicália por Jomard, que “já era muito amigo dele”.

O tema da memória flexível foi também abordado por José Nêumanne, que se lembra  de ter conhecido na pré-adolescência Ariano Suassuna, o inimigo número um de JMB, às portas do Teatro Popular do Nordeste (TPN) na temporada do espetáculo Memória de Dois Cantadores, com Edir e Teca. Mas ele ficou em dúvida a respeito até que, ao ler memorial em que ele narrou o fato, a grande romancista recifense Maria Cristina Cavalcanti de Albuquerque, autora de Luz do abismo, recordou que estava naquela noite em outra fila. Ela era menor, mas entrou acompanhada do irmão mais velho, Roberto, e do amigo dele, Jomard.

– De fato, me sinto psicanalizado por Maria Cristina desde aquele tempo, quando ela ainda era adolescente – contou JMB.

Edir Lima, o Edy Star, e Nêumanne

O incrível é que Edir, ou melhor Edy Star, que hoje mora a alguns quarteirões da Casa das Rosas, na Avenida Paulista, estava na platéia e lembrou os parceiros de palco: Geraldinho Azevedo, Marcelo Melo, depois Quinteto Violado, Naná Vasconcelos e um flautista.

– Aquele show foi o máximo, disse Edy, que brilhou seis anos nos palcos das boates da Praça Mauá, no Rio, fez enorme sucesso com o grupo Dzi Croquettes, liderado por Lennie Dale, e morou 20 anos na Espanha.

– Sim, um dos melhores que vi em meus 63 anos de vida – concordou Nêumanne, a quem Edy Star contou que Teca Calazans, casada com um produtor francês, mora em Paris.

Mas isto não é mais assunto para aquela noite inesquecível com Jomard.

Jormard Muniz de Britto, Isabel de Castro Pinto  e José Nêumanne Pinto

 

1 comment

  1. A VIDA EM VERSO
    Carlos Silva

    Minha poesia me trai, me condensa e me condena. Mas é parceira inseparável do meu viver. Dela, bebo como digo e luto, acreditando que são as palavras sentidas em mim, que movem o meu caminhar alegre.
    Acredito muito no futuro, pois lá no passado, eu já sonhava com essa realidade presente. Os vendavais servem de purificação na terra e eles varrem para longe com a força do vento, tudo que precisa em nós ser restaurado, para que sigamos confiante em nossos passos.

    Ahhhh vida, o que seria de mim , se não fossem os versos que brotam do meu ser?
    Sou assim, um, taco de verso perdido, achando graça da vida e rindo para que meu coração continue bater no compasso da vida que me serve de lição a cada romper da aurora.

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