ELAS …. POR ELA. por Vera Vianna

vera mulher

Ela limpa,  cozinha, lava e passa, leva os filhos na escola.  Depois muitas  ainda enfrentam um dia de trabalho puxado: faxineiras, cozinheiras, manicures, empresárias, médicas, dentistas, cientistas, jornalistas e uma gama imensa de profissões que as vezes inventam criam, para conseguir ganhar o bendito pão de cada dia.São todas iguais, só mudam de endereço.  É preciso sustentar a casa, os filhos, a família  complementar o salário do marido. As que são casadas. Outras são independentes e partiram para sua luta particular.Economizam o dinheiro da feira para conseguir ir ao cabeleireiro,   fazer as unhas, comprar aquele batom anunciado.

Elas têm cor,  amor , calor  e vaidade. Uma mão esmaltada e um boca vermelha,é o inicio de um prazer.

Ela é casada, acomodada, alienada, não trabalha, cuida da casa , do marido, dos filhos, rodeada de empregadas… tem tempo de exercer toda a sua futilidade, com o conforto de um cartão de crédito sem limites, rodam as lojas e compram  todos os lançamentos da moda. São muitas as festas e jantares.  Adoram tudo isso e não se incomodam de serem chamadas de peruas.

Ela vai toda noite para o teatro ou um set de filmagem e se  transforma em muitas, são aplaudidas  e voltam para casa exaustas , porque diferente do que se pensa, até  subir naquele palco ou enfrentar a câmera, suaram muito, se perderam, se acharam, ficaram inseguras, deram duro.E tiveram muitas vezes que dividir o tempo, entre uma família e a opção de ser atriz.

Ela  ensaia 9 horas por dia, têm os pés deformados, mas quando coloca o fru fru e as sapatilhas tudo faz sentido . É dura a vida da bailarina.

Ela é ativista atuante, se joga, abre guerra contra todas as convenções e vive por uma idéia transformadora.

Ela cai, levanta, acode, grita, é líder nata  e disso não abre mão.São as lanternas. Colocam luz nas cabeças das acomodadas.

Ela é romântica, já nascem,  é sensível com alma sonhadora , crianças que perseguem  o príncipe encantado e chora, se descabela  sofrendo muito quando descobre que ele é apenas um sapo. Ou um homem difícil,  diferente daquilo que passou o tempo buscando.Mas para algumas,  os difíceis é que as encantam. Desafio.  Ficam com a ilusão de que conseguirá mudá-lo.Mas isso lhes dá um novo momento: porre com as amigas, choros, desabafos, e gargalhadas no final. Até surgir um outro e ela repetir tudo, insanamente.

Entra numa loja de lingerie, compra uma calcinha nova escolhida  minuciosamente, cara e rendada, já sabendo que ela nem será notada, vai ficar ali no chão ou na cama depois de arrancada em segundos, com o desejo mostrando que  calcinha  é uma peça dispensável nesse momento.  Mas o prazer já havia se iniciado lá naquela loja.Como numa frase do  Pequeno Príncipe… se você vem as 4 as 3 já começo a ser feliz. Ela sempre  consegue  a coragem de recomeçar, ir em frente, vira dona de seu nariz, aprende que nada é mais afrodisíaco que a liberdade,  convive bem com a  solidão. Escreve poemas e livros que talvez jamais publique,  vê muitos filmes, lê muitos livros e com isso vai vivendo ricamente e orgulhosa com suas  descobertas e transgressões.

Ela pira, ela sangra, ela carrega no corpo uma semente que lhe foi dada e vendo seu corpo mudar, vai  parir outro ser e se transforma junto: Mãe.

Ela vive correndo não tem tempo para nada, se   doou à profissão, mas ali também está seu prazer. O Poder.

Elas perseguem a fama, bebem, fumam, se drogam,  amam demais ,  se fragilizam e não agüentam. Morrem de overdose.

Paqueram o homem que escolheram entortam a cabeça dele, até ser escolhida. Ardilosas.

São doidas  e santas .São diabólicas, ternas, compreensivas,  amigas, cúmplices,  doces ingênuas , generosas. São donas de sua sexualidade e fazem dela  um instrumento de sedução. Inimigas, se tornam perigosas.

Mulher. Todas diferentes, todas  iguais em sua essência. Guardam  segredos e desejos dentro do coração  jamais revelados.  Só  ao analista, ás vezes.

Seria preciso muitos volumes para contar e descrever tantas histórias, tentar entender de que planeta vieram.Possuem uma intuição incontestável, raramente erram. São seguras, inseguras, têm medo, aventuram-se, choram num filme de amor, enfrentam um homem agressivo,  apanham ,batem, matam  ou morrem.São bruxas, fadas, princesas,  gueixas ,apenas SÃO. E envoltas em todo esse encantamento e mistérios conseguiram inclusive um dia só para homenageá-las.

Portanto hoje sem conseguir nenhuma definição, quero somente agradecer as que tiveram a coragem de  iluminar  a sua e as nossas histórias.As que me inspiraram e ainda me inspiram.

OBRIGADA: Malala, Diana,  Leila Diniz, Maria da  Penha, Chiquinha Gonzaga, Joana   D’arc,  Elza  Soares , Adélia Prado, Zuzu  Angel, Madre  Tereza de Calcutá, Rachel de Queiroz, Cora Coralina, Zilda   Arns,   Angelina Jolie ,Lya  Luft, Clarice Lispector ,Fernanda Montenegro  ,Frida Kahlo,Rosa Parks. Todas e muitas outras ,anônimas , amigas queridas cujas histórias só eu conheço, me fascinam, me fazem viver não um mas 365 dias sem desistir.

Elas me fazem colher em suas palavras ou atitudes as sementes que quero germinar para me tornar  uma Mulher melhor, tendo orgulho até  das rugas  que enxergo a cada amanhecer.

Porque  é em cada uma delas que  eu guardo o que vivi.

Por Vera Vianna

Atriz, Jornalista e Produtora Cultural

siga @atrizveravianna

vera blog certa 150x150 Não me Retiro...Eu sou Presente...O Retiro dos Artistas é Nosso ...

 

 

 

 

 

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1 comment

  1. Constanca Teixeira de Freitas

    Vera querida..
    Somos todas um pouco “assim”;um dia mais outro menos, o importante eh nossa imensa habilidade de tentar..experimentar..criar alternativas e etc sem falar da incrivel capacidade que mulheres tem de fazer diversas coisas ao mesmo tempo! Provado cientificamente.
    Somos o maximo!
    Obrigada por nos lembrar..
    Bjs
    P. S: cada dia gosto mais e mais de suas cronicas…to viciando rsrs

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